Bolsonaro
teve a rara fineza de não sujar meu prêmio, diz
Chico Buarque ao receber Prêmio Camões

O
cantor, compositor e escritor Chico Buarque,
de 78 anos, recebeu o prêmio Camões, o
mais importante da literatura de língua
portuguesa, em uma cerimônia em Sintra, em
Portugal, nesta segunda-feira, 24/4.
Chico
recebeu o prêmio quatro anos depois de tê-lo
ganhado, em 2019. A demora se deveu à recusa do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em assinar a
documentação necessária para que o artista
recebesse o diploma.
"Conforta-me
lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de
não sujar o diploma do meu prêmio Camões,
deixando espaço para a assinatura do nosso
presidente Lula", afirmou o cantor.
"Recebo
esse prêmio menos como honraria pessoal e mais
como desagravo a tantos autores e artistas
humilhados e ofendidos nesses últimos anos de
estupidez e obscurantismo."
Em
seu discurso, o presidente de Portugal, Marcelo
Rebelo de Sousa, comparou o artista brasileiro a
Bob Dylan, que ganhou o Prêmio Nobel de
Literatura em 2016. Segundo ele, Dylan é
celebrado, mas sua obra é principalmente musical.
Já Chico Buarque, além da música, também fez
obras elogiadas na literatura e no teatro.
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva também
discursou. "Hoje, para mim, é uma
satisfação corrigir um dos maiores absurdos
cometidos contra a cultura brasileira nos últimos
tempos. Digo isso porque esse prêmio deveria ter
sido entregue em 2019 e não foi. Todos nós
sabemos por quê", declarou Lula.
Chico
lançou seu primeiro livro de ficção,
"Fazenda Modelo", em 1974. Três anos
mais tarde, publicou o livro infantil
"Chapeuzinho Amarelo". O primeiro
romance, "Estorvo", foi lançado em
1991. Ele também escreveu "Benjamin",
em 1995. Nos anos 2000, o artista lançou
"Budapeste" (2003) e "Leite
derramado" (2009). Seu último romance foi
"Irmão Alemão", de 2014.
Para
o teatro, Chico escreveu as peças "Roda
Viva" (1968); "Calabar" (1972);
"Gota D’Água" (1974), e "Ópera
do Malandro" (1978).
Prêmio
Camões
O
prêmio Camões é uma parceria entre os governos
de Portugal e do Brasil, criado em 1988. A
premiação é considerada a mais importante da
língua portuguesa. Entre os brasileiros que já
foram laureados, estão Raduan Nassar (2016),
Ferreira Gullar (2010), Lygia Fagundes Telles
(2005) e Jorge Amado (1994).
O
escritor homenageado recebe 100 mil euros (R$ 555
mil), sendo metade desse valor subsidiado pela
Fundação Biblioteca Nacional, entidade vinculada
ao Ministério da Cultura, e a outra metade é
paga pelo governo português.
Além
de Chico Buarque, ainda devem receber o prêmio o
escritor português Vitor Manuel de Aguiar e Silva
(escolhido em 2020), a moçambicana Paulina
Chiziane (2021) e o brasileiro Silviano Santiago
(2022).




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