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BH ferve em 24 horas de arte, diversidade e recordes na virada cultural 2026

     

Mesmo sob o impacto de um temporal no domingo, a 11ª edição do festival levou mais de meio milhão de pessoas ao Hipercentro da capital com muito som, catraca livre e fervo ininterrupto

Belo Horizonte viveu um dos seus finais de semana mais intensos do ano. Nos dias 29 e 30 de agosto de 2026, a capital mineira foi palco da 11ª Virada Cultural de Belo Horizonte, transformando o Hipercentro em uma imensa pista de dança e celebração a céu aberto. Com uma maratona de mais de 24 horas ininterruptas de programação totalmente gratuita, o festival atraiu um público recorde de 514 mil pessoas, consolidando-se como um verdadeiro marco de ocupação urbana, representatividade e diversidade.
Do rap ao samba, passando pela forte batida da música eletrônica e o som dos blocos carnavalescos, a cidade vibrou em uma sintonia única. O esquema de mobilidade com tarifa zero nos ônibus municipais (catraca livre) e o funcionamento estendido do metrô garantiram o fluxo dos baladeiros e amantes da cultura que cruzaram o Centro de ponta a ponta durante a madrugada.
O Fervo das Pistas e Grandes Palcos
A largada do evento na noite de sábado deu o tom do que seria o final de semana. A Praça da Estação e o Parque Municipal Américo Renné Giannetti ficaram completamente lotados. Um dos momentos mais aguardados foi o show do mestre Alceu Valença, que arrastou uma multidão apaixonada entoando clássicos da MPB. No samba, o gigante Jorge Aragão levou emoção pura ao público, dividindo o line-up com grandes vozes locais como Aline Calixto e Fabinho do Terreiro.
Para quem curte o movimento urbano, o icônico Viaduto Santa Tereza reafirmou sua força como o coração pulsante do hip-hop e do trap na capital, fervendo ao som de MC Anjim, Rashid, Iza Sabino e Mac Julia. O festival também abriu espaço para celebrações nostálgicas e carregadas de afeto, como a homenagem aos 10 anos de saudade do cantor mineiro Vander Lee, conduzida de forma emocionante por sua filha Laura Catarina ao lado de Sérgio Pererê.
Além do roteiro oficial, a cena alternativa e underground mostrou sua força criativa na cidade, provando que o público da capital está sempre sedento pelas pistas eletrônicas e intervenções visuais independentes que ditam a noite de BH.
Cinema, Yoga e a Madrugada de Domingo
Quem teve fôlego para esticar a noite encontrou opções diversas para além dos palcos tradicionais. Na manhã de domingo, a programação ganhou um toque especial de bem-estar com a parceria inédita com a Embaixada da Índia, que ofereceu sessões de yoga ao ar livre e exibições de cinema, ajudando a renovar as energias de quem virou a noite emendando uma atração na outra.
Outro grande diferencial deste ano foi o intercâmbio com a cena artística do Ceará, que trouxe para os palcos mineiros a energia potente de Mateus Fazeno Rock e Vannick Belchior, mostrando que a Virada de BH é um espaço de conexões nacionais.
O Drama do Temporal de Domingo
Como nem tudo é calmaria no fervo, a tarde de domingo reservou um cenário dramático para o encerramento do festival. Após horas de calor intenso e sol forte, o tempo virou bruscamente na capital mineira. Um temporal de curta duração, mas acompanhado por fortes rajadas de vento, atingiu a região central da cidade.
Por questões estritas de segurança e prevenção após vistorias das equipes técnicas da prefeitura, boa parte da programação da tarde precisou ser suspensa. No entanto, a organização conseguiu retomar as atividades nos três palcos que possuíam estruturas totalmente preparadas para resistir às intempéries: o Palco Viaduto, o Palco Gramado (no Parque Municipal) e o Sesc Estação, garantindo que o público resistente pudesse curtir os últimos momentos da festa.
Apesar do imprevisto climático, o saldo da Virada Cultural de 2026 foi extremamente positivo. O evento cumpriu a sua missão principal: democratizar o acesso à arte, misturar tribos, dar voz às minorias e injetar uma dose massiva de cultura e alegria nas ruas de Belo Horizonte.

   

 

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